quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Gaúcho na Europa: início em Paris, show na Espanha e fim em Milão


Por Marcos FelipeRio de Janeiro

O retorno de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil encerra um ciclo de quase dez anos no futebol europeu que, se não foi perfeito, passou perto. Ao todo, foram nove temporadas e meia no Velho Continente que o transformaram em ídolo e melhor jogador do mundo em duas ocasiões. No entanto, glórias somente no Barcelona. No PSG, clube que abriu as portas para o craque na Europa, e Milan, apenas alguns lampejos do camisa 10 que encantou o planeta na especialmente na metade da última década. Em todos eles, problemas com a atribulada vida fora das quatro linhas.
Ronaldinho PSG Barcelona MilanComeço promissor no PSG, títulos e troféus no Barcelona e lampejos de craque no Milan (Foto: Reuters)
Começo em Paris
Depois de brilhar pelo Grêmio no início da carreira, Ronaldinho Gaúcho deixou o clube de forma conturbada e, aos 21 anos, foi contratado pelo Paris Saint-Germain. No clube francês, estreou oficialmente no dia 4 de agosto de 2001 entrando no segundo tempo do empate de 1 a 1 com o Auxerre pelo campeonato local.
Aos poucos, como era esperado, ganhou a vaga absoluta de titular no PSG e encantou os torcedores e imprensa com dribles e jogadas sensacionais. As boas atuações lhe garantiram uma vaga na lista de Felipão para Copa de 2002 e, no Japão, ajudou a Seleção a conquistar o pentacampeonato (Assista no vídeo abaixo o show diante da Inglaterra nas quartas de final).
Após o Mundial, a relação com o técnico Luis Fernandéz que já não era muito boa, piorou. O treinador alegava que a vida noturna atrapalhava o rendimento de Ronaldinho. Por sua vez, ele dizia que o técnico pegava no seu pé e dos outros brasileiros do elenco. Com esse desgaste, além do fato de querer alcançar voos mais altos na carreira, o Gaúcho deixou o PSG no fim da temporada 2002/2003 apenas com o simbólico título da extinta Copa Intertoto, competição que, na verdade, sequer participou (foi relacionado para o último duelo contra o Brescia, apenas).
- A vinda dele já era muito esperada na França pois jogava muito bem com a seleção olímpica. Era a esperança numero 1 da torcida. E teve uma regularidade e um bom desempenho, progredindo na carreira. Mas quando ele começava a crescer, ouve a troca de clube. Além disso, o time do PSG não o ajudou muito a conseguir os títulos - salientou o jornalista francês Frédéric Fausser, editor do portal “Samba Foot”.
Os números de Ronaldinho no futebol europeu:*jogos por competições oficiais
PSGBARCELONAMILAN
65 jogos / 20 gols203 jogos / 93 gols90 jogos / 26 gols
Destino Barcelona
Por uma “bagatela” de € 30 milhões (cerca de R$ 72 milhões segundo o próprio site oficial de Ronaldinho), o Barcelona ganhou a disputa com Manchester United e comprou o brasileiro. No clube catalão, chegou em um time recheado de jogadores que haviam fracassado nas últimas temporadas. Mesmo assim, ajudou a equipe, que terminou o primeiro turno na sétima colocação, a brigar pelo título da temporada 2003/2004 que acabou ficando com o Valencia.
- Quando Ronaldinho chegou ao Barcelona, veio como segundo plano. O primeiro era Beckham. O clube tinha um acordo com o Manchester, mas perdeu o inglês para o Real Madrid e aí teve que ir atrás de outra estrela. Ronaldinho ainda não era isso tudo. Mas correspondeu mais a expectativa. O Barça estava nas cinzas e ele (Ronaldinho) ajudou a reerguer o clube - disse Joaquim Piera, repórter do diário catalão “Sport”.
ronaldinho chuta para marcar, Real Madrid 0 x 3 Barcelona, 19/11/2005Atuação de gala: Ronaldinho dribla R. Carlos durante vitória sobre o Real em novembro de 2005 (Getty Images)
Nas duas temporadas seguintes, somente shows e glórias. Ao lado de Eto´o, Deco e companhia e sob o comando do holandês Frank Rijkaard, brilhou intensamente e ajudou o clube a ganhar o bicampeonato espanhol, o bi da Supercopa da Espanha e a Liga dos Campeões em 2006. De quebra, foi eleito o melhor do mundo duas vezes consecutivas: 2004 e 2005.
Aplausos do rival Real Madrid
Mas não são esses troféus e títulos que dão a dimensão de como Ronaldinho chegara ao auge. No dia 19 de novembro de 2005, em pleno Santiago Bernabéu, o camisa 10 conseguiu um feito que apenas dois jogadores do Barcelona alcançaram em toda história do clube: ser aplaudido, de pé, pela torcida do arquirrival Real Madrid. Após fazer o terceiro e lindo gol na vitória de 3 a 0, o brasileiro foi ovacionado pelos rivais assim como aconteceram com o holandês Johann Cruyff em 1974 e com o argentino Diego Maradona em 1983.
Após a Copa de 2006, entretanto, Ronaldinho, que não fez um belo Mundial assim como todo o restante da Seleção Brasileira, começou a cair de produção no Barcelona e, para piorar, lutou contra várias lesões, crises com a balança (ao final de uma partida chegou a levantar a camisa e abaixar um pouco o calção para mostrar que estava em forma depois ter sido acusado de estar acima do peso) e problemas extracampo. Na imprensa, por conta das atuações abaixo da crítica, as noitadas do craque ganhavam as manchetes. Encerrou temporada 2007/2008 no dia 3 de abril por conta de um problema muscular.
Apesar da saída em baixa, Ronaldinho é até hoje reverenciado no Barcelona. Prova disso foi a última edição do Troféu Joan Gamper, em agosto do ano passado. Após conquistar o título com o Barcelona, o zagueiro Puyol chamou o ex-camisa 10 - então jogador do Milan - e lhe deu o troféu como forma de agradecimento pelo serviços prestados ao clube catalão.
- Depois da copa de 2006, Ronaldinho voltou afundado pelo papel lamentável que fez na Copa. Ninguém suportou ele com essa imagem. O nível de exigência era máximo e ele saiu com essa crise e sua imagem ficou um pouco manchada na época. Mas já se passaram dois e e ele ficou na memória como um dos melhores da história do clube - ressaltou Piera.
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Ronaldinho Gaúcho no banco de reservas durante jogo do MilanNo Milan, Ronaldinho Gaúcho esquentou o banco de
reservas em alguns jogos (Foto: EFE)
Na sua primeira temporada (2008/2009) até que começou bem, com boas atuações e um gol que garantiu o Milan a vitória no clássico diante do arquirrival Internazionale no dia 28 de setembro de 2008. No entanto, aos poucos, a magia foi diminuindo e ele acabou perdendo espaço na equipe, então treinada por Carlo Ancelotti e que contava ainda com Kaká.
- Ronaldinho teve alguns bons momentos no Milan no começo com Carlo Ancelotti, depois caiu. Com Leonardo, também na temporada passada, chegou a fazer bons jogos, mas não repetiu a fase dos tempos do Barcelona. Ancelotti chegou a dizer recentemente que ele deixava a desejar na forma física - afirmou Mauricio Cannone, jornalista da “La Gazzetta Dello Sport”, referindo-se ao fato de Ronaldinho também na Itália ter sua vida fora das quatro linhas bastante contestada.
Somente na temporada seguinte, com Leonardo como treinador, Ronaldinho teve uma sequência de grandes exibições, chegando inclusive a ser considerado como possível nome entre os 23 de Dunga que iriam à Copa do Mundo.
Porém, o chamado para defender a Seleção Brasileira não veio. E assim como em 2002, no PSG, e em 2006, no Barcelona, o Mundial acabou sendo um divisor de águas na carreira do craque que tenta o novo pulo do gato agora em solo tupiniquim defendendo o Flamengo.

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